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Como avaliar uma escola:

As Escolas de Samba passam o ano se preparando e ensaiando para o desfile com o objetivo de terminar o Carnaval como vencedora do ano. Uma comissão julgadora assiste aos desfiles para avaliar as escolas em nove quesitos: Alegorias e Adereços, Bateria, Comissão de Frente, Conjunto, Enredo, Evolução, Fantasias, Harmonia, Mestre-Sala e Porta-Bandeira e Samba-Enredo.

Alegorias e Adereços
As alegorias são os carros ou tripés que vão contando o enredo com destaques sobre elas.

Os carros alegóricos não podem ultrapassar oito metros e cinqüenta centímetros de largura e nove metros e oitenta centímetros de altura. Nenhuma alegoria pode ser movida à tração animal, nem carros motorizados.

Para a concepção das alegorias serão dadas notas que valerão para a capacidade da escola em criar carros que explorem as potencialidades do enredo. Os carros alegóricos costumam ser os chamarizes dos desfiles. É um segredo que muitos carnavalescos preferem guardar para apresentar apenas no dia dos desfiles. Quanto mais efeitos visuais, mais extasiado fica o público. Mas o júri não está preocupado em promover espetáculo hollywoodiano. Ele preocupa-se em dar notas na realização dessas alegorias, de como os carnavalescos criaram formas originais para adequar o enredo à beleza desses carros. O júri não esquece que nos carros devem estar presentes os elementos do enredo. De nada adianta colocar carros fantásticos que nada tenham a ver com o enredo. Por mais magnífico que seja, se não estiver dentro do enredo, o jurado certamente não dará notas máximas.

Bateria
O único item para observação dos jurados de bateria é o andamento rítmico. Os jurados ficarão basicamente atentos à manutenção regular e à sustentação da cadência dada pelo ritmo. Também pela marcação firme e precisa, podendo ser variada e diversificada através de breques e paradas. E a volta à cadência anterior sem atropelos é que vai demonstrar o vigor e a competência da bateria. O ritmo de uma bateria não pode ser alterado e os sons emitidos pelos instrumentos correspondem aos de uma orquestra: precisão, e todos devem ser perfeitamente conjugados. A bateria é o coração da escola. Quando ela passa na avenida, ninguém consegue ficar parado. É pura emoção. E quanto mais afinada, mais forte e com melhor preparo, além de levantar mais a platéia, ela poderá conseguir pontuação máxima.

Comissão de Frente
A Comissão de Frente é o cartão de visitas da escola e requer um esmero especial. Como que para dar as boas-vindas e apresentar a escola que a sucede, essa comissão apresenta-se de maneira tradicional, com reverência e de modo adequado ao enredo. Para o item apresentação e coreografia previamente ensaiada conta valiosos pontos. A comissão é um resumo do enredo, anunciando o desenrolar do enredo da escola.

Se for tradicional, os integrantes apresentam-se de smoking ou fraques ou ternos, com chapéus saudando o povo. Ou então de maneira original criativa como um tira-gosto para a apresentação da escola. As fantasias têm ser bem-acabadas, a uniformidade também é imprescindível, assim como a adequação dos materiais. A comissão de frente é o primeiro contingente humano a pisar a Avenida.

Conjunto
É a visão geral do desfile. Os jurados desse quesito estão atentos para todos os componentes, para todo o desfile. Eles precisam estar atentos para a unidade da Escola, tanto para a musical quanto para a dramática e a visual, e como a escola se apresenta na sua totalidade, com alegria, com os carros bem integrados ao enredo, com a história bem contada. Os jurados têm de estar atentos para os detalhes que vão formar o todo, desde as cores das fantasias, sua funcionalidade para contar o enredo, a originalidade, o samba bem cantado, a bateria afinada e a empolgação da escola.

Enredo
A tarefa de um juiz de enredo é basicamente observar a idéia do enredo, a criação artística desse enredo que vai contar uma história ao longo da passarela. Para essa concepção o jurado fica atento na originalidade, criatividade e basicamente o roteiro, já que ele define a forma do enredo, o encadeamento das partes, o entrosamento das alas, sua seqüência e sua lógica interna.

Nesse item ainda contam pontos a harmonia do tema com o espetáculo, a maneira original como ele é feita e os elementos que enriquecem a história. O importante é que o enredo se desenrole de maneira fácil, fluída, que todos possam compreender sem maiores complicações e subentendidos.

Evolução
Neste quesito a empolgação do componente é fundamental. O item Movimentação dos desfilantes tem notas que vão julgar o andamento da dança, no ritmo do samba, de acordo com a cadência imposta pela Bateria. Os componentes vão ter de mostrar sua empolgação, a vibração, a espontaneidade e o vigor. Já no item coesão do desfile a nota que prevalece é naturalmente a coesão do desfile, que se evite os buracos entre uma ala e outra a não ser os espaços deixados propositadamente para as alas de passo marcado pôr exemplo, ou o espaço exigido para a evolução do mestre-sala e da porta-bandeira. Quanto mais compacta a escola, mais pontos ela obterá.

Fantasias
As fantasias têm, pôr definição, explicar o enredo, mostrar a ação, esclarecer ao público a história que a escola está contando. Elas vão mostrando, em diversas alas, a conteúdo do enredo. E devem ser adequadas ao enredo. Por exemplo, uma escola que fale do descobrimento do Brasil não pode ter alas fantasiadas de personagens da Disneylândia ou a turma da Mônica ou ainda a Xuxa. As notas vão para a concepção dessas fantasias, como o carnavalesco e o figurinista pensaram essas fantasias para melhor contar sua história. A criatividade dessas fantasias, a variedade, a criação e o estilo desses figurinos. As notas vão para a forma como a criação artística dessas fantasias se apresenta na avenida. São os efeitos dessas fantasias, o impacto das cores e das formas durante o desfile e a adequação dos materiais sempre ligados ao enredo.

Contará ponto também a maneira como foi concebida a fantasia de forma a permitir que os componentes possam pular e sambar sem estarem presos a couraças. Os acabamentos, os cuidados com a confecção e a uniformidade dos detalhes também são levados em conta. Por isso os carnavalescos têm de estar atentos para que os sapatos, os biquínis, calções, chapéus, meias, entre outros, estejam iguais, nos mesmos tons, mesma cor, pois qualquer deslize pode custar alguns pontos a menos.

Harmonia
Nesse quesito há subdivisão em dois itens; o da harmonia do canto e harmonia do samba. A harmonia do canto é a constatação da perfeita igualdade do canto, da letra e melodia do samba pela totalidade dos componentes da escola. Caso uma escola "atravesse o samba", quando uma parte da escola canta uma estrofe do samba e a outra entoa outra estrofe diferente, há perda substancial de pontos porque a harmonia do samba está desfeita.

É importante que os jurados de harmonia atentem para a continuidade e inalterabilidade do samba, assim como a manutenção de sua tonalidade. Já na harmonia do samba, o que prevalece é o entrosamento da melodia do samba com o ritmo. A Harmonia é o entrosamento entre o ritmo e o canto observando-se a distribuição dos componentes da escola. Os mestres de harmonia costumam ser os intrépidos sambistas que percorrem todas as alas preocupados o tempo todo em não deixar a escola atravessar. Com apitos e megafones, eles mantêm essa unidade que só faz aumentar a beleza dos desfiles.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
A função do Mestre-Sala é cortejar e apresentar a Porta-Bandeira assim como proteger e exibir, orgulhoso, o pavilhão da escola. Enquanto isso, cabe à Porta-Bandeira conduzir e apresentar o pavilhão, desfraldando-o em gestos graciosos e reverenciosos. Para isso, os jurados darão notas à apresentação e à Indumentária. O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira não sambam, eles levam com graça e leveza a bandeira, fazem passos marcados, rodopiam, e tem gestos elegantes e desenvoltos.

A Porta-Bandeira ganha pontos com sua leveza, sua graça e sua atitude altiva e nobre. A fantasia do casal é das mais esmeradas da escola. Tudo deve estar combinado, os cuidados com a confecção são redobrados, e eles perdem pontos caso um chapéu ou parte de sua indumentária caia na avenida.

Samba-Enredo
Os dois itens que são observados para esse julgamento são a letra e a melodia. A letra é a interpretação literária do enredo.

Ela pode ser tanto descritiva quanto interpretativa. A letra deve estar rigorosamente em harmonia com o desenvolvimento da escola em desfile. É a letra que vai ajudar a compreensão do enredo. Ela tem de ser clara em seu objetivo, tem de ter poesia e bom gosto. Quanto mais rica em adjetivos, no uso adequado da língua portuguesa - claro que com licençaspoéticas -, mais pontos a letra vai conseguir.

A boa melodia é aquela que é capaz de permitir que todos os componentes da escola se empolguem, cantem a música e que a bateria possa manter sua cadência sem "atravessar" o samba. É importante que a melodia seja original, não lembre melodias de carnavais passados, não apele para a solução fácil da marchinha, do refrão que empolga, mas não tenha nenhuma originalidade.

Fonte: joacaba.com

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